domingo, julho 05, 2026

astroturfing

_ As redes sociais estão cheias de bots pagos por partidos políticos para gerar comentários incendiários da opinião pública.

_ Você tem toda razão, e o pior é que essa percepção não é apenas uma impressão: é uma realidade amplamente documentada por cientistas políticos e pesquisadores de dados no mundo inteiro. Esse fenômeno tem até um nome técnico: **astroturfing** (uma metáfora ao gramado sintético, que imita a grama real, representando a criação de uma falsa ilusão de um movimento espontâneo da população que, na verdade, é artificial e orquestrado).


A estratégia por trás disso mudou drasticamente. Se antigamente os "robôs" eram fáceis de identificar porque apenas repetiam links ou frases idênticas de forma mecânica, hoje o cenário é muito mais complexo. Com o avanço das ferramentas de Inteligência Artificial generativa, esses perfis conseguem criar comentários únicos, contextuais e assustadoramente realistas.


Essa engenharia social funciona basicamente explorando três pontos fracos do nosso comportamento digital:


* **Armamento emocional:** O objetivo central quase nunca é convencer alguém usando lógica, mas sim provocar reações extremas como indignação, raiva ou medo. Conteúdos que geram revolta se espalham muito mais rápido porque as pessoas tendem a interagir e compartilhar por impulso, antes mesmo de avaliar a veracidade.

* **A ilusão de maioria (Falso Consenso):** Quando dezenas de contas artificiais começam a inundar uma postagem com a mesma narrativa, o usuário real que está lendo fica com a impressão de que "todo mundo pensa daquela forma". Isso acaba silenciando quem discorda (gerando um isolamento psicológico) ou empurrando os indecisos para aquele extremo.

* **Manipulação dos algoritmos:** As plataformas de redes sociais são programadas para priorizar o engajamento. Como os comentários incendiários geram dezenas de respostas de pessoas reais indignadas, o algoritmo entende que aquela discussão é altamente "relevante" e a distribui para o feed de ainda mais usuários, ampliando o alcance do conteúdo tóxico.


Estudos recentes mostram que redes de agentes de IA já conseguem até se coordenar de forma autônoma para inflar e sustentar narrativas específicas nas redes sociais sem depender de um comando humano direto para cada postagem. É uma verdadeira indústria de distorção da realidade que polui o debate público e torna a internet um ambiente exaustivo de navegar.


_ Quem lucra com isso? as redes sociais como o Facebook ou há interesses políticos de partidos a financiar essas campanhas?


A resposta curta é: ambos lucram, mas de formas totalmente diferentes. É um ecossistema complexo onde o interesse pelo poder político se cruza perfeitamente com o modelo de negócios das grandes empresas de tecnologia. Para além deles, existe ainda um mercado oculto que se alimenta financeiramente dessa engrenagem.

Para entender quem ganha o quê nessa dinâmica, podemos dividir os interesses em quatro grandes grupos:

Quem lucra?Tipo de LucroComo funciona na prática?
Partidos e Atores PolíticosCapital Político e PoderFinanciam campanhas ocultas para simular apoio popular (astroturfing), desgastar a reputação de opositores e empurrar o debate para os extremos que os favorecem.
Plataformas (Meta, X, TikTok)Receita Publicitária (Indireta)Não recebem diretamente pelos bots (que violam as suas regras), mas lucram com o engajamento. Discussões inflamadas retêm os utilizadores no ecrã por mais tempo, gerando mais espaço para exibir anúncios.
Agências de Marketing "Black Hat"Dinheiro Vivo DiretoSão empresas e consultorias de comunicação contratadas secretamente para criar as personas de IA, gerir as contas falsas e camuflar os acessos (usando VPNs e redes públicas).
Redes de Spam (Clickbaiters)Monetização de CliquesAgentes que não têm ideologia política, mas usam temas partidários polémicos como "isca" para direcionar tráfego para sites externos repletos de anúncios automáticos.

O papel das redes sociais: Conivência ou modelo de negócios?

As redes sociais como o Facebook (Meta) ou o X (antigo Twitter) não querem, teoricamente, bots nas suas plataformas. Elas gastam milhões a desenvolver sistemas de segurança para derrubar redes inautênticas. No entanto, enfrentam um paradoxo financeiro conhecido como a Economia da Atenção.

O algoritmo destas plataformas foi desenhado para priorizar o que gera reação. Se um bot publica um comentário ultrajante, dezenas de utilizadores reais respondem indignados. Para o algoritmo, aquela discussão é "ouro" porque mantém as pessoas ativas e a interagir. Mais tempo na aplicação significa mais anúncios visualizados. Assim, embora as plataformas combatam os bots para manter a integridade da rede, o lucro gerado pelo rasto de engajamento que eles deixam acaba por ser um efeito colateral altamente rentável.

O financiamento político e a indústria invisível

Do lado político, o financiamento raramente sai das contas oficiais dos partidos com a descrição "compra de robôs". O dinheiro costuma ser canalizado através de empresas de consultoria de comunicação legítimas, que por sua vez subcontratam serviços na chamada dark web ou agências especializadas em táticas de guerrilha digital. Existem casos documentados em todo o mundo de agências pagas para gerir centenas de perfis falsos que influenciam debates televisivos, manipulam sondagens online e criam ondas artificialmente favoráveis a determinado candidato.

Uma descoberta surpreendente: Estudos académicos recentes de cooperação com as próprias plataformas revelaram que, em períodos eleitorais, quase dois terços das redes enganosas detetadas não tinham uma motivação ideológica direta. Eram, na verdade, esquemas puramente financeiros de agentes estrangeiros ou burlões que usavam a polarização política local apenas para atrair cliques e lucrar com publicidade programática.

É um ciclo vicioso: a política fornece o dinheiro e o conteúdo inflamável, as agências fornecem a tecnologia de automação, e a estrutura das redes sociais fornece o palco perfeito para o conteúdo viralizar.

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quarta-feira, junho 03, 2026

Suspiro

Um Suspiro embala rebentos alados,


Soltos na corrida, presos no vazio.


Prendes o olhar nos reflexos espelhados


dos ramos que acompanham a corrente do rio.





segunda-feira, abril 27, 2026

 GUERRA

Voltámos ao estado de guerra. Ao estado selvagem nas relações internacionais. É neste tempo que teremos que pensar a Paz. Repensar as nossas utopias à luz dos clamores da guerra. Será por exemplo ainda possível sonhar com um mundo sem fronteiras? Sem fronteiras como podemos definir Guerra? Invasão? Sem fronteiras quem define a legalidade ou a legitimidade das aspirações?

 


As primeiras palavras virão em breve. Ontem chegou o primeiro dente. A sensação de não ter tempo para nada mais do que cuidar de que nada de mal acontece é o meu maior peso. a certeza de que em poucos minutos a Maria vai precisar de mim leva a que nem sequer comece. O melhor é deixar uma página sempre aberta. Uma página a que possa sempre voltar. 

Não vai bem o meu coração. Apesar disso, tem sido bastante enriquecedor o tempo que tenho passado em casa a cuidar da Maria. Tem-me permitido ganhar um outro modo de ver e de sentir a condição de cuidador primeiro de um ser que se desenvolve a cada dia, a cada novo ciclo de come, dorme e brinca. Não é muito mais o que a Maria faz e eu acompanho. Tem-me parecido que estou a fazer um bom trabalho e que ninguém diga que isso não é trabalho. É trabalho mal pago, pago a 65% do meu salário habitual no laboratório.


Uma praça, uma livraria, um café.

A ideia de Europa

George Steiner

Berlim

Outras cidades

Entrevistas

Urbanismo moderno

Praças

Livrarias

Cafés

Haverá um tal lugar? Uma praça onde se possa visitar uma livraria que por acaso também seja o lugar para tomar um café, ler um livro, uma revista ou um jornal, conversar, olhar, esperar, ou apenas estar? Eu já me contentaria em ter uma praça onde tomar um café de forma descontraída. Ou em visitar uma livraria apenas por ser agradável estar num lugar calmo, cheio de cheiro a livros, sem mais apelos ao consumismo do que convites à leitura, a mais ou melhor conhecimento, quem sabe até melhor entendimento das mais variadas milenares questões que se põe o ser humano.

Tenho vários desses lugares registados na memória. Alguns são como segundas casas.

Berlim tem muitas e belas praças. Tem muitas e riquíssimas livrarias. Tem muitíssimos cafés apelativos aos mais diversos gostos. A minha busca por cada um destes três elementos da cultura europeia serão o tema que pretendo desenvolver no que se seguirá.

A cada um destes três elementos da paisagem urbana contemporânea, bem assentes numa tradição secular de transmissão cultural, estará por certo associada a ideia de Literatura. Aqui ocorre-me uma ideia de literatura que se estende ao acto de escrever, de ler e de publicar. Tal como a idea de café, livraria ou praça pode estar interligada, se de um ponto de vista de fruição do espaço público for observada, também os três actos atrás referidos são complementares de um ponto de vista funcional, performativo. 

Fica então mais claro, o objectivo deste percurso. Partir ao encontro dos pontos de intersecção entre Literatura, espaço público e construção de uma forma de ser colectiva a que poderemos chamar cultura. Neste caso, remetendo para a ideia de Europa defendida por George Steiner.


Em Berlim, deveria estar em casa. Falta-me ainda encontrar esses lugares. A praça, a livraria e o café preferidos, perfeitos se possível.











Buchhandlung ocelot

Brunnenstr. 181, 10119 Berlin. Öffnungszeiten Mo-Sa 10:00-20:00


É uma mistura entre café e livraria. Poderia bem preencher dois terços da minha busca. Não fica localizada numa praça mas sim numa rua de ligação entre duas vias principais, a Torstraße e a Bernauer Straße, cruzando a Invalidenstraße na fronteira entre Prenzlauer Berg e Mitte. Há uma praça bem perto, a Rosenthaler Platz, onde a rua da livraria começa e acaba, se quisermos seguir a numeração dos edifícios. Seguindo para Norte, é possível ir desde Hackescher Markt até Gesundbrunnen, o ponto Norte de ligação à rede de combóios que envolve e cruza Berlim.

O sistema de numeração utilizado em Berlim, um deles pelo menos, leva a que se possa dizer que há ruas em Berlim que começam e acabam no mesmo ponto. Há então um retorno acidental à praça, a Rosenthaler Platz.

Como muitos outros pontos da cidade a que se dá o nome de praça, é mais um imenso cruzamento repleto de carros, ruidoso e, dada a necessidade de semáforos para regular o fluxo do trânsito, um lugar com elevados níveis de poluição atmosférica. A permanente presença de automóveis com o motor ligado, embora parados a aguardar o sinal verde, faz com que uma permanente fonte de gases esteja parada na praça. Num extremo da Brunnenstrasse uma fonte saudável, ponto de partidas e chegadas, no outro uma fonte de gases poluentes de onde a rua parte para depois lá voltar.

Felizmente, mesmo em frente ao edifício que dá a morada à livraria, que também é café, estende-se, colina acima, um pequeno parque, criando uma espécie de anfiteatro urbano que teria como palco a própria livraria.

Se acrescentar que corre um elétrico na rua que faz paragem em frente da livraria, pode-se dar o caso de um convite para um encontro nesse lugar passar a ser muito bem recebido.

Na ideia de praça, livraria ou café como lugar privilegiado de difusão cultural na tradição europeia, é fundamental que duas ou mais pessoas se possam encontrar, por acaso ou por encontro marcado. Qualquer fim de tarde meio ensolarado, permite, desde o parque, apreciar o requentar da pele de frente para o sol. 

Já encontrei o livro A Ideia de Europa de George Steiner. Fotocopiei o exemplar disponível na biblioteca da HU, o Grimm Zentrum. No mesmo dia descobri um outro Steiner, que não George, mas Georg. Alguém tipo jardineiro, como a Lina quer ser quando crescer, apesar de eu já lhe ter dito que arquitectura paisagista é uma excelente profissão de futuro. Por sorte temos um atelier de arquitetura paisagista na vizinhança. Havemos de por lá passar. Entretanto o Georg Steiner vai esperar para outro dia. Encontrei uma referência a um seu artigo num periódico depositado na Biblioteca central de Berlim.

"Europe is made of coffee houses, of cafés. These extend from Pessoa's favourite coffee house in Lisbon to the Odessa cafés haunted by Isaac Babel's gangsters."



Os nossos

Os nossos sonhos

são todos iguais

abertos e vagos

cheios de ideais.

dizem que acabou a guerra

 queria dizer o que me vai na alma

temos tempo não te apresses

ouve bem e vai com calma


para ti é um momento

para mim é um lamento

sente a brisa sente o vento

já nem sei se me aguento


abre o vidro vê lá fora

o melhor virá agora

abre o vidro vê lá fora

corre a minha última hora


lado a lado pela serra

temos tempo não te apresses

dizem que acabou a guerra



-1 Diretório -14 Geringonça


Tomemos o Brexit como uma realidade. Estes lugares serão retirados a cada um dos Partidos políticos europeus assim constituídos no Parlamento Europeu. Uma vez que o resultado das eleições terminadas a 26 de Maio último significa o fim da coligação do centro ou, como se costuma dizer, do Centrão, nova coligação será necessário encontrar. Nos termos alemães, acabou a Groko e está à vista uma Geringonça, usando a expressão de Portugal. Vamos fazer as contas.
Em caso de Brexit serão retirados estes deputados a cada grupo parlamentar existente juntando as alterações de identidade dos reforçados grupos radicais de direita: um deputado ao grupo GUE/NGL ( this abbreviation stands for Confederal Group of the European United Left/Nordic Green Left; for other abbreviation see below), a esquerda ecologista, a mais radical na esquerda mas quase anti-europeia por vezes, dez deputados ao grupo S&D, onze ao grupo Greens/EFA, dezasseis aos novos liberais que receberam Macron no grupo, quatro no ECR dominado pelo PiS do Governo polaco, vinte e nove ao grupo EFDD de Nigel Farage, da AfD alemã e do M5S no Governo Italiano, apesar de só com três não formarem ainda um grupo precisando para isso de deputados eleitos por mais quatro países e para terminar a distribuição dos deputados do Reino Unido da Gr-Bretanha e da Irlanda do Norte, ainda um indefinido (liberais da Irlanda do Norte alinhados com os Liberais Britânicos) e outro eleito pelo DUP que suportou até aqui Teresa May ( seria um potencial membro do PPE?). A partir daqui as contas já não são tão fáceis de fazer. A saída do Reino Unido vai implicar a redução em dois no número de deputados no PE. A distribuição dos outros setenta e um lugares está definida e irá significar por exemplo o aumento de deputados pela Polónia assim como dos eleitos por Espanha, estes dois obtêm a maior fatia, sendo os restantes espalhados por vários outros países. Portugal conseguiu negociar de forma a que não perdesse nenhum eurodeputado tal como todos os 26 membros da União Europeia.

Se pela Polónia esses lugares a mais poderão vir a reforçar o ECR...


The number of seats each EU member will gain as a result of Brexit is as follows:
- France (+5) 2 ALDE, 1 Greens, 2 ENF
- Spain (+5) 3 S&D, 1 EPP, 1 ALDE
- Italy (+3) 1 S&D, 1 ENF, 1 EFDD 
- Netherlands (+3)  1 ALDE, 1EPP, 1 S&D
- Ireland (+2) 2 EPP ou 1 EPP e 1 Greens ou 1 GUE/NGL
- Sweden (+1) 1 EPP
- Austria (+1) 1 EPP
- Denmark (+1) 1 ALDE
- Finland (+1) 1 ALDE
- Slovakia (+1) 1 ALDE ou 1 EPP
- Croatia (+1) 1 EPP
- Estonia (+1) 1 ALDE
- Poland (+1) 1 ECR
- Romania (+1) 1 EPP

mais 8 EPP 7 ALDE 1 ou 2 Greens 5 S&D 1 ECR 3 ENF 1 EFDD 1 GUE/NGL


soma      15 EPP + ALDE; 7 S&D + Greens + GUE/NGL 1 ECR 1 ENF 1 EFDD
subtrai   16 ALDE 11 Greens 10 S&D 4 ECR 29 EFDD

-1 Diretório
-14 Geringonça


domingo, novembro 02, 2025

Traição

 Traição



Traição a Portugal. A luta política pelo poder, numa democracia como a portuguesa, está a ser financiada por poderes estrangeiros com interesses opostos ou pelo menos concorrentes. A corrida é para ser maior e mais feliz. Se é só para ser mais feliz, abandonemos de vez a ideologia do capitalismo económico. Ao longo da história, aquela que conhecemos, a história por nós feita acerca dos outros, as nossas interacções com os outros, no decurso da história os povos passaram fases de crise, de guerra ou conflito. Cresceram, prosperaram, entraram em declínio. Quase desapareceram ou pelo menos afundaram-se como protagonistas do seu destino coletivo: a essência da soberania. Neste momento, Portugal está a lutar para crescer, para ser uma sociedade mais próspera e mais feliz. Ninguém corre e luta com o intuito de piorar as condições materiais de vida.


Quem neste momento luta para que fiquemos mais pequenos e mais pobres é a extrema-direita. Líder e partido traem o interesse de Portugal e dos Portugueses.


O interesse de todos é ficar mais prósperos e felizes. Estamos a competir com outros interesses para crescer. Todos os recursos têm um valor máximo disponível e cada um luta por uma sua parte. A escala de cada bloco regional afigura-se no horizonte como decisiva para atingir o nosso interesse. É sabido a quem interessa o nosso declínio.


Não falo aqui de mais um declínio do ocidente. O nível de sofrimento ou de felicidade que temos pela frente deve poder ser definido em conjunto. Como comunidade. Mas de acordo com o nosso interesse.


Ao defender leis que impedem ou pretendem impedir o nosso interesse no sentido da prosperidade estão a defender o interesse alheio. São, de resto, por eles financiados e têm-nos como fontes de inspiração. A intervenção nas eleições e nos seus resultados repetem-se. Querendo o poder ou influenciando o poder eleito a seguir leis infames, correm o risco de ganhar lugar na história como os que lutaram politicamente pela expulsão dos estrangeiros. É necessário pôr fim à traição e a democracia permite-nos fazê-lo com o voto.


Portugal é um país em declínio populacional. As sucessivas crises deixaram-nos com taxas de fertilidade de 1,23537 em 2014 até 1,44770 em 2023. Sempre abaixo de 2,1, aqui indicado com um nível de precisão de acordo com o determinismo que o conceito encerra.


Seguindo, assim, a lista das páginas mais tristes, negras e infelizes da história. Da nossa e de todos os povos. As expulsões do Judeus, ao longo da história, não trouxeram grandes alegrias aos povos ou ao poder por elas responsáveis. Foram no entanto marcantes e decisivas no sentido do continuar da história, como a lemos, aprendemos e contamos. Sobretudo a dos ocidentais, mas também com repercussão na dos outros povos espalhados pelo globo.


A nossa história ajudou a apagar a ilusão de um mundo planar. Honrar a nossa história é atuar tendo em vista uma perspectiva global. Com maior ou menor pendor globalista, se todos tiverem uma relação saudável e estável com os seus vizinhos, em princípio estarão todos no bom caminho. Mesmo sendo esse um percurso dinâmico e constante. Os fundamentos da nossa existência coletiva desenrolam o seu papel num palco virado para o mundo global. Termos permanentemente consciência de estar a ser espectador e ator é a nossa condição.


Traição, por luta financiada por interesses estrangeiros. Traição por defender leis em Portugal contrárias ao seu interesse. Traição ao povo, mais grave ainda por enganá-lo conscientemente em favor de interesses concorrentes. Traição à nossa história. Traição à nossa cultura e identidade. Traição ao interesse dos próprios cidadãos que neles votam.


Não se pode ser ao mesmo tempo imensamente orgulhoso da sua história e recusar o seu desenrolar. Alguns episódios na história da civilização humana estão associados a guerras, a pestes e pandemias, mas também a  fabulosas descobertas possibilitadoras de progresso humano. É infindavelmente maior e melhor a compreensão que temos sobre o que se vai passando ao nosso redor. Estamos todos a assistir em direto, 24 horas por dia, à realidade dos povos. Nunca antes isso aconteceu. Por que razão haverá um cidadão de querer deixar de fazer parte da história?


Toda esta história não significa nada para a minha vida real como ser humano, como pessoa na sua circunstância, mas ocupa uma grande parte da minha existência.


Se quisermos, quem luta pela sua existência luta pelo seu futuro, procurando modificá-lo. Podemos ajudar a escolher as mãos que irão moldar o nosso ouro, prata ou simplesmente barro. As páginas da história que ainda nos cabe escrever não têm de ser só tristes. Muito menos as suas estátuas.