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quinta-feira, julho 03, 2025

As Memórias do Facebook

 As Memórias do Facebook


Por ocasião do 40º Congresso do PSD, aquele onde LM foi eleito presidente do partido, era assim a narrativa:

"Luís Montenegro elege programa de emergência social e reforma da saúde como prioridades"- dizia o título do artigo do Público. E continuava assim: "Luís Montenegro elegeu as sete causas em que vai trabalhar nos próximos tempos. À cabeça, o programa de emergência social para acudir às preocupações dos portugueses sobre o custo de vida, mas também a defesa da reorganização e reforma do Serviço Nacional de Saúde para acabar com o “caos” no sector, o alívio fiscal, UM PLANO DE ACOLHIMENTO DE IMIGRANTES e a descentralização."
...
"Luís Montenegro demarcou-se da “xenofobia” da direita mas também do extremismo da esquerda. Um dos momentos em que o novo líder levantou o 40.º Congresso, durante a sessão do encerramento, foi quando condenou o PS por se ter associado a partidos “anti-NATO, ou anti-UE, ou antieuro, ou anti-IPSS, ou antimisericórdias, ou anti-sector privado da saúde, ou mais flagrante ainda, partidos pró-russos no contexto da guerra da Ucrânia”.

O ressabiamento por 2015 é o que move a direita. Se lhes perguntarem por uma ideia nova, qual a substância da vitória da direita ou das direitas em Portugal ou na Europa ou no resto do Mundo, não sai nada. É só ressabiamento das forças conservadoras pelos avanços das sociedades na direção da liberdade, das várias liberdades que foram conquistadas politicamente nas últimas décadas. Sinceramente, se aquilo de que se podem vangloriar é uma tal de agenda Woke que, apesar deles, avançava e continua a avançar, simplesmente porque as novas gerações assim o escolheram, o regresso das forças progressistas e das agendas ambientalista e feminista não tardará.

Mas continuando com as memórias, diz o artigo mais adiante:


“Somos e seremos moderados mas não somos nem seremos socialistas. E é por sermos moderados que também não somos nem populistas nem ultraliberais. E muito menos nos associaremos algum dia a qualquer política xenófoba ou racista”, afirmou, assumindo que “jamais” abdicará dos princípios da social-democracia e da essência do programa eleitoral para governar a qualquer custo”. Nem que isso tenha o preço de liderar um governo."

Tem-se visto a arte de contorcionismo e a força das convicções de LM.

"À semelhança do que já tinha acontecido com o anúncio do programa de emergência social, também o plano de acolhimento de imigrantes foi colocado novamente entre as prioridades." -

Como foi que disse? Então a criminalidade e a segurança em 2022 não estavam na moda?

"E Face ao “inverno demográfico” e à falta de mão-de-obra “estrutural”, é proposto um programa nacional de “recrutamento e integração” virado para a “sustentabilidade económica e social do país”, inspirado em países como a Austrália ou o Canadá."

-Tamanho descaramento!

O artigo pode ser consultado através do link que partilho abaixo.

O que aconteceu entretanto foi simplesmente uma onda de demagogia populista alavancada pelas forças reacionárias da extrema direita, um pouco por todo o lado. Depois dos anos de inflação de 2022 e 2023, da entrada em vigor dos milhares de milhões de investimento extraordinário criados pela bazuca ou os planos de investimento de Biden, com sucesso reconhecido na economia americana antes ainda das eleições de 24. Depois do ano de todas as eleições, em 2024 quase metade do planeta foi às urnas, num recorde mundial, os populistas começaram a usar os imigrantes como arma de arremesso contra as esquerdas ou forças moderadas de centro. Criaram o Outro ideal, e sempre necessário para que o populismo e a demagogia possam vencer.

Há dias, dizia Francisco Assis numa entrevista na Antena 1, o que já os gregos tinham escrito, -"se os democratas cederem aos demagogos as democracias morrem, porque a seguir aos demagogos virão os tiranos.". Segundo ele, os democratas estarão a ceder aos demagogo. Eu temo que já estejamos na fase em que são os demagogos, no poder, que estão a ceder aos tiranos. Em vários aspetos das nossas sociedades a tirania já está instalada. Deportações em massa, proibições de manifestação (Clima, Palestina, Pride,...), atos consecutivos de violência política tolerada pelas autoridades, são tudo sinais de que a tirania já está aqui, aí, um pouco por todo o lado. Deixa ver quanto tempo sobrevive este post!

As memórias rezavam assim:

Reescrever a história. Derivado do ressabiamento de 2015.
Demagogia. À la carte, mesmo depois de afirmar que eles não. Incêndios como exemplo, já amanhã no terreno.
1 - Inflação: programa de emergência social (nada de novo e puro mimetismo das medidas já em vigor)
2 - Caos na Saúde: sector social (nada de novo e uma fezada quando o que falta são mesmo médicos e enfermeiros e não camas)
3 - Impostos: desfazer o brutal aumento de impostos, não, alívio da carga fiscal, i.e. taxa social à la Passos, sim.
4 - Jovens a 15% de IRS: (inconstitucional) e creches do sector social (mais mimetismo do programa do PS).
5 - Programa de acolhimento e integração de imigrantes a copiar a Alemanha como forma de encontrar mão de obra, embora paga pelo salário mínimo. Baixos rendimentos, mas agora só para imigrantes como forma de crescimento económico.
6 - Transição ambiental, energética e tecnológica: pôr a mão no PRR (nem nada de novo nem algo apenas)
7 - Descentralização e não a um referendo à regionalização em 2024. Com a crise como desculpa.
Isto é o PSD?


quarta-feira, maio 21, 2025

Demografia e Economia

Interaktiver Bericht: Demografie & Wirtschaft Europas

Demografie und wirtschaftliche Entwicklung in Europa

Einleitung

Dieser interaktive Bericht analysiert die komplexen Wechselwirkungen zwischen demografischen Strukturen und wirtschaftlicher Entwicklung in Europa. Er beleuchtet Trends wie Bevölkerungsalterung, veränderte Geburtenraten und Migration und deren tiefgreifende Konsequenzen für Wirtschaftswachstum, Sozialsysteme und regionalen Zusammenhalt. Ziel ist es, Muster, regionale Unterschiede und die Verflechtungen zwischen demografischen und ökonomischen Faktoren aufzuzeigen.

Die demografischen Verschiebungen in Europa stellen sowohl erhebliche Herausforderungen als auch potenzielle Chancen dar. Einerseits belasten sie Sozialstaaten und können zu Arbeitskräftemangel führen. Andererseits eröffnen sie Möglichkeiten, beispielsweise durch die Entstehung einer "Silver Economy" oder als Impuls für Innovationen.

Der Bericht gliedert sich in die Untersuchung der aktuellen demografischen Landschaft, eine Bestandsaufnahme der wirtschaftlichen Entwicklung, die Analyse der Wechselwirkungen zwischen diesen Dimensionen und schließlich die Erörterung von Politikansätzen und Zukunftsperspektiven für ein resilientes Europa.

Die demografische Landschaft Europas

Dieser Abschnitt beleuchtet die aktuellen demografischen Trends in der Europäischen Union, einschließlich Bevölkerungsstruktur, Alterungsprozessen, Geburten-, Sterblichkeits- und Lebenserwartungstrends sowie Migrationsmustern. Die Daten zeigen eine alternde Bevölkerung mit signifikanten regionalen Unterschieden.

Bevölkerungsstruktur und Alterung

Am 1. Januar 2023 lebten 448,8 Millionen Menschen in der EU. Das Medianalter stieg von 39,0 Jahren (2003) auf 44,5 Jahre (2023).

Der Anteil der Bevölkerung ab 65 Jahren wuchs von 16 % (2003) auf 21 % (2023) und wird bis 2050 voraussichtlich auf 30 % steigen.

Der Altenquotient (Verhältnis von Personen im Rentenalter zu Personen im erwerbsfähigen Alter) wird sich in den nächsten vier Jahrzehnten voraussichtlich verdoppeln.

Altersabhängigkeitsquotient

Der Altersabhängigkeitsquotient (Personen ab 65 Jahren im Verhältnis zu Personen zwischen 15 und 64 Jahren) für die EU wird von 33,0 % im Jahr 2022 auf voraussichtlich 59,7 % bis 2100 steigen.

Regionale Unterschiede sind beträchtlich, mit Konzentrationen sehr alter Regionen in Ostdeutschland, Italien und Teilen Südeuropas.

Geburten, Sterblichkeit und Lebenserwartung

Die durchschnittliche Kinderzahl pro Frau in der EU lag 2022 bei 1,46, unter dem Ersatzniveau von 2,1.

Die durchschnittliche Lebenserwartung in der EU betrug 2023 insgesamt 81,5 Jahre (Männer: 77,9 in 2022, Frauen: 83,3 in 2022).

Es besteht eine Lücke in der Lebenserwartung zwischen West-/Nordeuropa und einigen osteuropäischen Ländern.

Lebenserwartung nach Geschlecht (2023)

Die Lebenserwartung für Frauen ist in der EU durchweg höher als für Männer. Länder wie Spanien und Italien zeigen besonders hohe Werte.

Migration

Migration gleicht in vielen EU-Ländern den negativen natürlichen Saldo aus. 2023 wanderten 4,3 Mio. Menschen aus Nicht-EU-Ländern in die EU ein.

Deutschland und Spanien meldeten 2023 die höchste Zuwanderung. Relativ zur Bevölkerung waren es Malta, Zypern und Luxemburg.

Die Integration von Migranten ist entscheidend, stellt aber auch Herausforderungen dar, insbesondere in Regionen mit Bevölkerungsrückgang.

Stand der wirtschaftlichen Entwicklung in Europa

Dieser Abschnitt gibt einen Überblick über die wirtschaftliche Lage in der EU, einschließlich Wirtschaftsleistung, Wachstumsdynamiken, sektorale Strukturen, Arbeitsmarktentwicklungen sowie Einkommensverteilung und soziale Ungleichheit. Das Bild ist heterogen mit deutlichen regionalen Unterschieden.

Wirtschaftsleistung und Wachstum

Das geschätzte nominale BIP der EU lag 2025 bei 19,991 Billionen US-Dollar. Das BIP-Wachstum betrug 2023 0,6 %.

Deutschland, Frankreich und Italien sind die größten Volkswirtschaften. Es bestehen erhebliche Unterschiede im kaufkraftbereinigten BIP pro Kopf (z.B. Luxemburg vs. Bulgarien).

Osteuropäische Länder zeigen teils rasche Konvergenz, aber Wohlstandsunterschiede bleiben bestehen.

Arbeitsmarkt

Die Arbeitslosenquote in der EU lag im März 2025 bei 5,8 %. Die Jugendarbeitslosigkeit betrug 14,5 %.

Hohe Unterschiede zwischen Ländern (z.B. Spanien/Griechenland vs. Tschechien/Malta).

Arbeitskräftemangel ist ein wachsendes Problem, verschärft durch demografischen Wandel und Qualifikationsdefizite.

Einkommensverteilung und Armut

Der Gini-Koeffizient der EU lag 2024 bei 29,3 (relativ niedrig). 2023 waren 21,4 % der EU-Bevölkerung von Armut oder sozialer Ausgrenzung bedroht (AROPE).

AROPE-Raten sind in südlichen, östlichen und äußersten Regionen oft höher. Hauptstadtregionen in Osteuropa haben oft niedrigere Raten als der Rest des Landes, in Westeuropa teils umgekehrt.

Inflations- und Lebenshaltungskostenkrisen treffen einkommensschwächere Haushalte überproportional.

Wechselwirkungen zwischen Demografie und Wirtschaft

Die demografische Entwicklung und die wirtschaftliche Leistungsfähigkeit Europas sind eng miteinander verknüpft. Die Bevölkerungsalterung beeinflusst Wirtschaftswachstum, Produktivität und öffentliche Finanzen, während Migration eine wichtige, aber komplexe Rolle für Arbeitsmärkte und Innovation spielt.

Auswirkungen der Bevölkerungsalterung

  • Reduziert tendenziell das Wirtschaftswachstum (geringere Arbeitskräftezahl).
  • Beeinflusst Arbeitsproduktivität (potenziell geringeres TFP-Wachstum durch ältere Belegschaft).
  • Erhöht Druck auf öffentliche Finanzen (steigende Ausgaben für Gesundheit, Renten, Pflege).
  • Erfordert Steigerung der Arbeitsproduktivität zur Aufrechterhaltung des Lebensstandards.

Rolle der Migration

  • Kann Arbeitskräfteengpässe mildern und zur Wirtschaftsleistung beitragen.
  • Kann positive Effekte auf Innovation und TFP haben.
  • Verursacht anfänglich fiskalische Kosten; langfristige Auswirkungen hängen von Integration ab.
  • Ist keine vollständige Lösung für die Folgen der Alterung; erfordert breitere Strategien.
  • Wirtschaftlicher Beitrag hängt von Anerkennung und Nutzung der Migrantenqualifikationen ab ("Brain Waste" vs. "Brain Gain").

Regionale Disparitäten: Demografische und wirtschaftliche Bruchlinien

Europa ist von erheblichen regionalen Unterschieden geprägt. Es zeigen sich Kluften zwischen Ost-/Südeuropa und Nord-/Westeuropa sowie zwischen städtischen und ländlichen Gebieten. Diese Disparitäten haben sowohl demografische als auch wirtschaftliche Dimensionen und können sich gegenseitig verstärken.

Wichtige Beobachtungen

  • Ost- und südeuropäische Länder erfahren oft stärkere Bevölkerungsrückgänge und Alterung.
  • Städtische Regionen ziehen Erwerbstätige an, ländliche Regionen kämpfen mit Entvölkerung.
  • Höchste Armutsrisiken oft in südlichen, östlichen und äußersten EU-Regionen.
  • Innerstaatliche Bruchlinien zwischen dynamischen urbanen Zentren und schrumpfenden peripheren Gebieten sind kritisch ("Geografie der Unzufriedenheit").
  • Demografische Verschiebungen und wirtschaftliche Aussichten beeinflussen sich gegenseitig und können "Entwicklungsfallen" erzeugen.

Momentaufnahme regionaler Disparitäten (Ausgewählte NUTS-2 Regionen, Daten ca. 2022/2023)

Region (Land) Medianalter (ca. Jahre) BIP p.K. (KKS % EU) Arbeitslosenquote (%)
Southern (Irland) Relativ jung 286 4,1
Praha (Tschechien) 41,6 207 1,7
Sud-Est (Rumänien) 44,0 45 5,7
Sachsen-Anhalt (Deutschland) 51,6 76 7,0
Calabria (Italien) 47,3 59 16,3

Quelle: Basierend auf Tabelle 7 des Berichts. Genaue Bevölkerungsentwicklung nicht tabellarisch dargestellt, aber Trends im Bericht erwähnt.

Politikansätze und Zukunftsperspektiven

Die Bewältigung des demografischen Wandels erfordert maßgeschneiderte Strategien, Investitionen in Humankapital und Innovation sowie die Anpassung an neue technologische Entwicklungen. Eine enge Zusammenarbeit auf allen Ebenen ist entscheidend für ein demografisch und wirtschaftlich resilientes Europa.

Strategien zur Bewältigung

  • Familienpolitik & pronatalistische Maßnahmen (Wirksamkeit umstritten, erfordert Langfristigkeit).
  • Integrationspolitik für Migranten (Arbeitsmarkt, Bildung, Zugang zu Diensten).
  • Rentenreformen (Anpassung an Lebenserwartung, fiskalische Nachhaltigkeit).
  • Maßgeschneiderte Ansätze für unterschiedliche regionale Herausforderungen.

Nachhaltige Wirtschaftsentwicklung

  • EU-Kohäsionspolitik zur Verringerung regionaler Unterschiede (ortsbezogener Ansatz nötig).
  • Investitionen in Humankapital (lebenslanges Lernen, Umschulung).
  • Förderung von Innovation und F&E.
  • Arbeitsmarktreformen (Erhöhung Erwerbsbeteiligung, Flexibilität).
  • Nutzung des Potenzials einer länger lebenden Bevölkerung ("Langlebigkeitsdividende").

Zukunftsszenarien & Technologie

  • EU-Bevölkerungsprognose: Höhepunkt um 2026, dann Rückgang. Erwerbsbevölkerung schrumpft stark.
  • Automatisierung & KI: Potenzial zur Produktivitätssteigerung und Milderung von Arbeitskräfteengpässen, aber auch Risiko von Arbeitsplatzverlusten und Ungleichheit.
  • Notwendigkeit eines Umdenkens bei Wirtschaftsmodellen und Gesellschaftsverträgen angesichts potenziellen Bevölkerungsrückgangs.

Schlussfolgerungen

Die Analyse zeigt ein komplexes Zusammenspiel von Demografie und wirtschaftlicher Entwicklung in Europa mit tiefgreifenden regionalen Unterschieden. Die fortschreitende Bevölkerungsalterung stellt erhebliche Herausforderungen dar, während Migration eine wichtige, aber nicht alleinige Rolle spielt.

Für ein demografisch und wirtschaftlich resilientes Europa sind differenzierte und kontextspezifische Politikansätze unerlässlich. Dazu gehören maßgeschneiderte Strategien, die Stärkung der regionalen Entwicklung, Investitionen in Humankapital und Innovation sowie die Anpassung an neue Realitäten wie potenziellen Bevölkerungsrückgang und technologischen Wandel.

Die demografische Transformation ist unaufhaltsam, aber ihre Folgen sind gestaltbar. Proaktive, evidenzbasierte und anpassungsfähige Politiken können Europa helfen, die Herausforderungen zu meistern und die Chancen zu nutzen, um nachhaltigen Wohlstand und sozialen Zusammenhalt zu sichern.

© 2025 Interaktiver Bericht. Basierend auf "Demografischer Wandel und wirtschaftliche Entwicklung in Europa: Eine vergleichende Analyse".

quarta-feira, abril 09, 2025

Housing For All

 "We should be unromantic about what this means. If we remove barriers to market housing production, some capitalist firms will benefit; if we don’t, other capitalist firms—the ones that profit off of housing scarcity—will benefit instead. Prioritizing housing for all as an objective over penalizing particular enemies in the capitalist class is both more strategically coherent and, ultimately, more morally righteous. And in the fight to achieve more housing for all, we should not dogmatically insist on using only certain means to get there. With the stakes so high, we can’t afford that kind of indulgence."


—Ned Resnikoff


https://www.dissentmagazine.org/article/supply-and-the-housing-crisis-a-debate/

segunda-feira, março 17, 2025

Fotografias



Prag



Tanta dor, tanto medo.

Seja o que for, não tenho credo.

Arranco  os cabelos, rasgo a veste.

Como foi mesmo aquilo que disseste?


Que caminho tão torto

Que me não deixa fugir

Do eco das tuas palavras

Meu coração a partir


Não calçamos os mesmos sapatos

Não constas nas minhas fotografias

Não gostamos os dois de gatos

Ouviste o que não querias

domingo, outubro 06, 2024

Os Lusíadas são...

 "Os Lusíadas são uma busca obstinada, às vezes quase desesperada, de beleza e de heroísmo, por um poeta que sabe que os seres humanos são imperfeitos e que o mundo é um lugar muito frágil."

Isabel Almeida

Erros Democráticos

 


consenso vs. compromisso


consenso
(con·sen·so)

nome masculino

1. Conformidade de juízos, opiniões ou sentimentos, relativamente a algo ou a alguém, por parte da maioria ou da totalidade dos membros de um conjunto de indivíduos (ex.: a votação do regulamento foi adiada por falta de consenso quanto ao texto final). = ACORDO, CONCORDÂNCIA, CONSENTIMENTO, UNANIMIDADE

2. Opinião ou posição maioritária de um grupo ou de uma comunidade (ex.: é consenso quase geral que a principal medida no tratamento do pé diabético é a detecção precoce).

3. Anuência, aquiescência, consentimento.


Origem etimológica:latim consensus, -us, acordo, concordância, unanimidade.

Palavras relacionadas

"consenso", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/consenso.


compromisso
(com·pro·mis·so)

nome masculino

1. Obrigação ou promessa feita por uma ou mais pessoas. = AJUSTE, COMPROMETIMENTO, CONTRATO

2. Obrigação social, como um encontro ou uma consulta, por exemplo.

3. [Direito] Obrigação contraída entre diferentes pessoas de sujeitarem a um árbitro a decisão de um pleito.

4. [Direito] Concordata de falido com os seus credores.

5. Acordo político, especialmente entre adversários. = PACTO

6. Estatutos de confraria.

7. Escritura vincular.


tomar compromisso•Obrigar-se.


Origem etimológica:latim compromissum, -i, particípio passado de compromitto, -ere, comprometer.

Colectivo:agenda.

Palavras relacionadas
palavracompromissóriocompromissárioagendanoivadodescompromissocomprometido

"compromisso", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/compromisso.

terça-feira, janeiro 24, 2023

Um ser universal

 Um ser universal



Passo a passo 

Com a força dos teus passos

Fazes a terra girar.

Ao ponto de pensares que és um criador na terra.


Para que andes para a frente

Tem a terra que andar para trás.

O que pensas ser progresso, não passa de um erro de análise.

Qual o criador que não ama o seu cálice.



Sendo um outro ser

tão ser como tu

quando ele anda e sonha

e a terra faz girar


gira a terra mais depressa ou mais devagar?


Se todos caminhamos,

Se todos sonhamos,

Algo mais forte

nos faz caminhar. 


Será do sonho?

Saberás tu sonhar?

O que seria do progresso,

sem capacidade de perguntar?


Mas se fores mais além,

acabas por ao mesmo sítio chegar.

Presos à nossa pele,

presos ao nosso lugar.

Mais tarde se acaba o sonho

do que a terra de girar.


Só nos resta continuar.

Se nos resta continuar.

Porque resta continuar.

Para quê continuar?

Para onde continuar?

E porque não parar?.





"Poema infantil"


Chora o fruto

A Maria

O poema a acabar

chora chora chora fruto

chora chora chora a Maria

o dia a começar

cora chora chora chora

acordou está disperto

toca a ter o dedo no ar

sábado, novembro 07, 2020

Geringonças



By Krd - Own work, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=74929363



Em Berlim, tal como aconteceu em 2015 em Portugal, o Governo estadual é apoiado por uma coligação R2G (Rot-rot-Grün ), traduzido para vermelho-vermelho-verde, ou seja, Socialistas, Bloquistas/Comunistas, Verdes. Em Portugal chama-se Geringonça ao que aqui se designa por R2G. Num país longamente habituado a coligações de governo, quer a nível estadual quer a nível federal, é de salientar a diversidade nas soluções encontradas. Há no entanto um leque de coligações que ainda nunca se verificou: toda e qualquer uma que conte ou precise do apoio do partido de extrema direita, o AFD.

Ainda não se verificou mas já esteve quase. No estado federado da Turíngia, Thomas Kemmerich, líder local dos liberais do FDP, chegou a ser eleito com 45 votos contra 44, apoiado pelas bancada do partido de Merkel, CDU e pela bancada do AFD, liderado por Björn Höcke, ou seja, a extrema direita. Traduzindo, uma coligação entre Liberais, Democratas Cristãos e Nacionalistas/Populistas de extrema direita aliou-se contra a esquerda para apoiar a formação de um governo regional. A esquerda não se conseguiu entender com os verdes e o centro direita fechou os olhos ao que aí vinha.

Kemmerich chegou a ser empossado no parlamento regional como Primeiro Ministro e daí resultou a famosa foto do aperto de mão a Höcke, prontamente comparada a uma outra foto do passado. Durou três dias no cargo, acabando por se demitir, o que levou à marcação de novas eleições.

As razões para a sua demissão são fáceis de compreender. Em primeiro lugar a Alemanha entrou em convulsão após a quebra do cordão sanitário que tornava impossível alguém sequer pensar em formar coligações com a extrema direita que, saliente-se, é não só a terceira força política no Bundestag, parlamento federal, como ainda a primeira força da oposição, o que em termos de folclore democrático tem a sua importância.

Segundo, e sem estar a ordenar as razões por qualquer ordem de valor ou importância, a até então líder eleita da CDU, Annegret Kramp-Karrenbauer, escolha quase pessoal e direta de Merkel para a suceder no partido e com elevada probabilidade de vir a ser a próxima Chanceler federal, demitiu-se da liderança do seu partido. Desempenha actualmente as funções de Ministra da Defesa no Governo de Merkel. Angela Merkel tinha já decidido não se recandidatar e pôr fim à sua carreira política a nível interno. Traçou um plano para a sua sucessão no partido e pensou levá-lo a eleições.

Neste momento, e continuando a viagem na tormenta, a CDU continua com um processo não planeado de escolha do seu futuro líder que conta com pelo menos três candidatos, todos homens. No seu último episódio, o congresso marcado para Dezembro teve de ser adiado devido à Pandemia. As eleições federais para a escolha da sucessão e Merkel serão também em 2021.

Numa nota mais pessoal, e por forma a dar algum do tom com que se viveram esses dias por terras germânicas, a possibilidade de haver um governo regional eleito e apoiado pela extrema direita fez soar as campainhas do "vamos embora para outro país que isto está a aquecer", ao que eu, deitando alguma água na fervura, respondi: "calma, que nós vivemos em Berlim e aqui os ventos são outros".

É verdade que no estado federado de Berlim, que corresponde à própria cidade com os seus 4,3 milhões de habitantes, ainda se respira a liberdade. No entanto, Berlim é também a capital e na capital as coisas são sempre diferentes.

Annegret Kramp-Karrenbauer bem o pode dizer. Mostrou a muitos que há portas que não se podem abrir quando antecipadamente sabemos quem está do outro lado. A sua enorme demonstração de grandeza política é merecedora de uma estátua no meu panteão pessoal imaginário. Tinha tudo para vir a ser uma das mulher mais poderosas do mundo mas, por razões para muitos difíceis de entender quase que se pode dizer que abdicou do poder. Tiro-lhe o meu chapéu.


segunda-feira, maio 21, 2018

Squalor


squalor

[skwol-er, skwaw-ler]

noun

  1. the condition of being squalid; filth and misery.


Origin of squalor

1615–25; < Latin squālor dirtiness, equivalent to squāl(ēre) to be dirty, encrusted + -or -or1

Synonyms

wretchedness


Antonyms

splendor.

The problem of Rent:
Rent has three characteristics differentiating it from other forms of expenditure:
(i) Rent varies markedly from one part of the country to another,
(ii) Rent varies markedly as between different families of the same size in the same part of the country,
(iii) Expenditure on rent cannot be reduced during a temporary interruption of earning as that on clothing, fuel or light can.

Sir William Beveridge, Social Insurance 
and Allied Services Report



Excerto de The New Poverty, de Stephen Armstrong. Verso
Chapter 6: Squalor, pp. 127-132

"That afternoon I visited the city’s wet centre: a day hostel that allows homeless people to walk in drunk or on drugs. As I arrived, staff were struggling to help a man suffering from the violent hallucinations and sweeping emotional changes brought on by the synthetic cannabinoid Black Mamba. He was howling, his body shaking and his eyes blank. ‘It’s cheap and it’s strong,’ Hiley explains. ‘It’s sweeping through prisons and the homeless and the effects are brutal. People are using it to find oblivion.’ Back in the main building – a walk-in and advice centre in a spruced up old school – I met Jas Singh, one of Inclusion’s regulars and a local lad. He’s fresh-faced and handsome – he looks a little like Stone Roses singer Ian Brown, right down to his jagged mop-top hair – but he totters into the room on crutches with his foot strapped up in a large webbing-and-plastic sandal. Singh studied art at St Martins and graduated in 2012, moving to Kingston upon Thames where a friend secured him a protection-by-occupation residency in a large empty house. He was on the verge of the next stage in his life – interning with an art dealer on Pimlico Road. ‘It was unpaid but I’d get fed and into all the art exhibitions for free, and some champagne parties,’ he grins. ‘I started to meet a few people – like Terry O’Neill, the photographer, and I was starting to put my own work together … mainly sound installations.’ And then, running up the stairs at the art dealer’s house in 2014, Jas slipped and whacked his leg on the corner of a stair and damaged his peroneal nerve, which provides feeling to the front and side of the legs and the top of the feet. A damaged peroneal nerve causes a condition known as foot drop, where the muscles that hold the foot in place stop working and the patient’s foot effectively dangles uselessly at the end of their leg. He couldn’t walk without crutches and couldn’t keep working with the art dealer. When the house he was legally squatting finally got sold, he was out – just as his dad phoned to tell him his mum was ill, asking him to come back to Leicester to help out. ‘So I came back for a while,’ he explains. ‘I was here for about six months when, ironically, I was giving a homeless person a few bits of change and got mugged, whacked on the back of my head – I was knocked out, unconscious for a while. I’m still not clear on everything that happened after that. Apparently I discharged myself and went back to my family with my head still bleeding. We had a huge row – I can’t remember what about … I was drinking at that time though I’m sober now. But the atmosphere was tense.’ Mood swings, anger and tears are textbook behaviours after a head injury – although Singh blames long-running family tension for the rows that simmered at home. After two weeks, he slipped on the stairs again and fractured the same foot. An ambulance took him to hospital and his last words to his dad were – ‘I’ll call you as soon as I’m done.’ After his foot was treated, he stood outside Leicester General Hospital waiting for his dad when he got a tap on his shoulder. ‘It’s two police and it’s like – are you Mr Singh?’ he recalls, shaking his head. ‘I’m thinking – why are the police asking if I’m Mr Singh?’ He pauses for a moment and looks away, then back. ‘And I get arrested by the police – they say they’ve a restraining order because of my aggression at my dad’s house … and I’m kind of baffled because I just had a conversation with my dad and I thought he was coming to pick me up … but it turns out suddenly I’m homeless.’ After a night at Euston Police Station, a squad car dropped him off at the Dawn Centre, Leicester’s last remaining homeless hostel – the council has closed three other hostels in the past few years, offering supported accommodation instead but effectively reducing the number of beds available to rough sleepers. Still a little dazed – and with a few belongings in a plastic bag – he was hoping to get to a bed early to rest and recover a little. But the Dawn Centre was full and the hotels he could walk to only had rooms for £70 a night, so he went to an off-licence, bought a few cans of Kronenberg and slipped into a hotel car park where he lay down behind a parked van – ‘and drank and drank and tried to sleep,’ he shivers. ‘It was February and I was freezing so I thought I’d knock myself out with alcohol. But when you try and sleep outside, you think you’ve slept and then you look at your phone and it’s been three minutes.’He was so exhausted and dirty he thought he couldn’t do another night like that so he booked in to the hotel using his bank card to guarantee the room. He had a shower and got his head down for a couple of hours. When he woke, his phone battery was running low, he had no money and everything he owned was at his parents’ house. He walked on his crutches over to Leicester City Council housing office, where they said he wasn’t eligible for help as his parents’ house, his last address, stands just outside the city limits in Leicestershire. He managed to get an appointment with Oadby and Wigston Borough Council on the same day, got to the bus stop and realised he just had a few coppers and a little bit of change. He showed the bus driver all he had, and told him where he was going. The driver just took a few of the coppers and let him on, which still brings tears to his eyes when he tells the story. At Oadby and Wigston, a housing officer called Heidi hunted out a bed at the Action Homeless hostel, run by a local charityin the city centre. She lent him £3 to get the bus, he made it to Victoria Park and was given a bed on the first floor of a brick townhouse. He made friends sharing tobacco and Rizla – ‘it was like school or a prison’, he says. ‘I hadn’t got my own cup so they wouldn’t give me tea. People were kicking off over dinner and I almost wished I was outside again, instead of having to climb the stairs to get to my room with the noise of someone kicking off every half an hour.’They moved him around a couple of times. First into shared accommodation and finally into a single room in a quieter house. The bureaucracy of the homeless system proved endlessly baffling. One advisor told him he wasn’t entitled to housing in Leicester because his family lived outside, but if he filled out a form saying he was estranged from his family that would see him clear. So he did that and got a letter back saying he wasn’t eligible because he had no local connections. He’d have to wait in limbo for two years before he became a resident of Leicester.‘It’s crazy,’ he explains. ‘There’s housing I can get for £385 per month, and the council is paying my hostel over £780 for a single room with a shared kitchen. On top of that, I pay the hostel £104 a month, so they’re clearing £900 per month. Every now and then, someone says they may force me back to London, because I have connections there. But how am I going to get on a waiting list in Kingston upon Thames of all places?’He was sleeping badly, and hugely sensitive to noise and light, which eventually drove him to Inclusion looking for something to help. There he met a Dr Maxwell, who talked to him for half an hour and was shocked that he’d not been treated for his head injury. She helped sort out some medication, got the in-house physiotherapist to look at his leg and wrote a few letters to Action Homeless explaining his illness and asking that he be moved to a less noisy building. She also connected him with Headway, a charity dealing with people with head injuries, who secured him an assessment for the Employment and Support Allowance – the benefit paid to disabled people. Initially the interview was scheduled in Nottingham. ‘I told them I had problems with my leg and I suffer from anxiety,’ he shrugs. ‘Does it make sense to send me to Nottingham? And because I’m band four – as in, I’m not drinking or doing drugs – I’m a long way down the list for any better accommodation. So if I get myself an "addiction I’d get housed. I’d be better off if I started taking drugs.’The days pass slowly, he says – he’s got a scrapbook and tries doodling and sketching in it. He’s got a few ideas but they don’t quite come out right. And he’s started to help out at a homeless charity Open Hands.‘They’re all charities aren’t they? It’s funny that. The thing is – it can happen to anyone. I see people buying all these lottery tickets and it’s like – you’ve got more chance of being homeless than winning the lottery you know? I was working towards an okay life before – interning and organising exhibitions in Pimlico and Chelsea. Now everything’s stripped away. Some people do help out – but most people think I don’t look homeless enough.’





domingo, março 25, 2018

No Taxation Without representation


  • Cada vez mais me convenço de que há pessoas que não sabem interpretar o significado de "Fiscal" dito em Inglês. Confunde-se Orçamento com imposto. "Fiscal Austerity", significa controlo Orçamental e não tem nada a ver com Fisco, Impostos ou taxas. Claro que uma coisa está relacionada com a outra mas, em Inglês existe também o termo "Taxation", quando se pretende falar de impostos. Há aquela famosa frase: "no taxation without representation" que levou a uma revolução. Depois temos que recordar um senhor deputado que três legislaturas atrás, pedia um choque fiscal como terapia para a economia. Falava em revolução nas taxas de impostos, IRS, IRC, etc. Citava estudos em que o termo utilizado era "Fiscal Shock", significando alterações na composição do Orçamento, ou seja, uma modificação estrutural na forma de administrar o país. A sua cegueira ideológica, lembre-se que corriam os anos da cavalgada dos neo-liberais, pela Europa e EUA, que levou entre outras coisas à intervenção no Iraque, dias após a fotografia dos Açores que tanto nos deve envergonhar, como Povo. Era a época da desregulamentação da economia que levou ao Caos financeiro e económico começado em 2008. Parece que hoje, passados quase oito anos, alguém devia ensinar um pouco mais de Inglês, já para não dizer de Política, a alguns deputados que pretendem jogar na arena dos tubarões. É que quando se sai, por Badajoz, Vilar Formoso, Portela ou Sá Carneiro, da Lusitânia, deixa-se imediatamente de falar Português e adopta-se a Língua dos Tubarões. Agora, não esquecer: Fiscal Shock means Investment and Public Policies that favor growth. Tax Policies means "get away from my money" or " Give me your money, now!

quarta-feira, março 21, 2018


 A direção-executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) classificou o programa europeu para resgatar Chipe de “irrealista e excessivamente otimista”, noticia hoje o semanário alemão “Der Spiegel”.
Na sua edição de hoje, com base em documentos
internos do FMI, o semanário revela que os 24 diretores-executivos da instituição multilateral, em particular os que representam os países em vias de desenvolvimento, criticaram o plano europeu de ajuda financeira a Nicósia na sua última reunião de mediadores que se realizou em maio.
“Todo o programa precisa de um pouco mais de otimismo, embora a dose esteja muito acima da média", disse ao semanário o representante brasileiro.
Outro dos elementos da América Latina na direção-executiva do FMI considerou o programa “demasiado otimista” e disse esperar que Chipre possa vir ter um crescimento positivo em 2015, como prevê o programa de resgate.
Por sua vez, o representante da Austrália manifestou “dúvidas” de que o programa pudesse ser posto em prática com êxito e advertiu para o facto de terem de ser feitas "alterações" a cada meio ano ou mesmo três meses.
Por último, o membro da direção-executiva para a Arábia Saudita acusou a Europa de conhecer a "delicada situação em Chipre”, desde há bastante tempo e “não ter atacado” os problemas antes destes se agudizarem.
o empreendedor

de jovem pastor de cabras a aspirante a golfista no belas clube de campo.

a realidade é necessariamente outra.


esquemas do empreendedor para vencer.

a moral do empreendedor.

o que cabe na realidade do empreen.

o jovem liberal defensor do privado

dois tipos de empreendedores.

há o pastor de cabras e depois há o jovem trump.
aquele que começa com o pequeno empréstimo do papá.

o alvo é a afirmação: os portugueses estão pior mas o país está muito melhor.

que maior elogio ao modelo chines.



A china é o melhor exemplo da cristalização desta ideia. O país está muito melhor mas para lá chegar foram atropelados os direitos fundamentais de muitos cidadãos. O bem comum é uma máquina de terraplanagem. Nada se pode interpor que resista a ficar tão fino como a camada de poeira.

"Vivemos sufocados pelo presente." diz Ana Cristina Leonardo, in Expresso, 12/11/2016.



um amigo confunde ou pretende confundir ou deixa-se confundir face à diferenca entre populismo demagógico xenófobo e chauvinista e, do outro lado, o que recuso à partida, demagogia da esquerda radical.

Compreendo o meu amigo. É pai, tem uma vida estável e é avesso a qualquer alteração do estado de coisas.

Papá, quem é Dilma Roussef?

O melhor a deixar para o futuro é o que possamos escrever sobre o hoje. O presente.

Por exemplo, eu posso escrever um livro dirigido à minha filha ao tentar responder às suas perguntas.
E que perguntas vão ser essas? Não sei. Mas posso tentar preparar-me para elas. Como é que eu lhe posso responder se ela me perguntar:
- "O que é...?",
- Ou então, se a pergunta for - Papá, quem é Dilma Roussef? - Ao que eu provavelmente responderia, perguntando-me em vós alta quem era Dilma Roussef? -Quem é  Dilma Roussef, então filha, Dilma Roussef é uma senhora, que nasceu no Brasil, e que até já foi Presidente. Pior seria se a seguir ela me perguntasse, por que razão eu dizia "que até já foi". Mas poderia apenas perguntar se a senhora já era velha? Não me parece que eu lhe fosse responder, que era uma mulher, que nasceu num país chamado Brasil antiga presidente da república. Pelo menos, se a encontrasse ou se me a apresentassem, estou certo que iria dirigir-me a ela com - "Senhora Dilma! Olá senhora Dilma" - ou então -"Prazer, senhora Dilma". Portanto, parece-me bem que a minha resposta seria essa. Que é uma senhora que nasceu no Brasil, que até já foi presidente.
- "Foi", continuaria eu, - "tenho quase a certeza, a primeira mulher a ser presidente nesse país. No Brasil. Foi presidente depois de Lula da Silva. Eram ambos do PT, partido dos trabalhadores.

 nascidaDilma Vana Rousseff is a Brazilian economist and politician who was the 36th President of Brazil from 2011 until her impeachment and removal from office on 31 August 2016, becoming the first ... Wikipedia

O Big Boom de Margareth Thatcher


To me, consensus seems to be
the process of abandoning all beliefs, principles, values and policies.
So it is something in which no one believes and to which no one objects.

Margaret Thatcher

Margareth Tatcher tinha 20 anos quando a Guerra acabou. Nascida em  Grantham, uma localidade de 34.592 habitantes no condado de Lincolnshire, 42 km ao sul da cidade de Lincoln e aproximadamente 39 km a leste de Nottingham, alguma coisa esta terra poderá ter para nos dizer acerca da pessoa.

Em 2004 o condado era considerada uma região pobre. Em relação a um valor médio na União Europeia igual a cem, Lincolnshire apresentava um valor de noventa e três e meio, (93,5). Era por isso (como fatalmente ainda hoje será) uma pobre região, como que uma ilha. Apenas por comparação, o valor apresentado pela região onde nasceu uma dama de ferro tinha em 2004 uma riqueza igual à das Canárias ou da Região Autónoma da Madeira. Penso que o nível de riqueza seja o único ponto de contacto. Não consta que o Sol radie entre Lincoln e Nottingham como na região semi-tropical em que se encontram os arquipélagos atlânticos. A costa de África fica próxima e o mar é profundo.

A produtividade dos Lincolnshirenses era considerada uma região pouco produtiva em termos da nação Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte e a perspectiva de crescimento económico era reduzido segundo os melhores pactuados critérios económicos e financeiros conhecidos à data da saída de cena da dama de ferro. Desde 1979 até aos dias do ano de 1990, foi longa a sua passagem pelo poder, e marcante o seu legado político. Entre eles recordo-me de um acontecimento retumbante com ecos no presente.

A taxa de desemprego de longa duração estava, para 2005, estimada em 25%, bastante acima da taxa de desemprego total, a rondar os três por cento. Algo no passado terá deixado a região parada no tempo, que é sempre um tempo de angustia, o do desemprego. Estando um quarto dos seus conterrâneos condenados ao paro forçado, uma região pode tornar-se depressiva e deprimida. A menos que algum palhaço por lá passasse.

Por falta de verdadeiro divertimento, os jovens tinham abandonado, em boa parte, a região, que outra parte foi mesmo o terem deixado de lá nascer crianças. Era assim uma terra envelhecida, mais do que o habitual para as terras britânicas. Em 2005, ou seja, cerca de vinte cinco anos depois de Thatcher deixar o poder, a região contava com os piores indicadores sociais relativos a Educação Superior, tendo no entanto valores melhores do que a vizinhança relativos a educação de nível médio. Tendencialmente, mais pessoas completavam os níveis elementares de educação.

Alguns dos indicadores da estratégia de Lisboa aqui apresentados revelam a posição relativa da região onde a dama de ferro nasceu. Referem-se os valores a alturas de 2004 e, ou 2005. Vinte e cinco anos depois de ter chegado ao poder e quinze primaveras depois de o deixar. Toda a pessoa a quem as circunstancias da vida colocam numa posição de poder por tanto tempo, devem ao menos ambicionar a que no futuro a sua memória seja de boa circunstancia para os que viverem depois.

Alguém já disse que uma pessoa é sempre fruto das suas circunstancias e também das suas circundancias. O ambiente que nos rodeia quando crianças é por certo marcante, pelas boas e pelas menos felizes razões, para sempre e acima de tudo no futuro, que se espera distante, da longa velhice a que todos devem poder aspirar.

Um fraco político será sempre esquecido ao passo que um político de má memória ter-lhe-à sempre associados os seus erros. Os resultados e a sua avaliação serão sempre melhor feitos com mais tempo para a análise.

domingo, fevereiro 18, 2018

O mais óbvio

Rui Rio estende a mão ao Partido Socialista como estratégia política. A descentralização administrativa do país é a área de Política eleita. Tem uma estratégia aparentemente bem elaborada. Identifica os grupos de pressão com potencial de serem conquistados como por exemplo os professores, os idosos ou as populações do interior do país. Estes fazem parte do eleitorado mais volátil e com maior tendência a mudar de voto em futuras eleições legislativas sendo por isso de prever uma concentração neste alargado grupo do eleitorado.

 Para isso iremos assistir a estratégias de comunicação com apoio declarado de alguns órgãos de comunicação social mais tradicionais passando ainda essa permanente campanha pelas chamadas redes sociais. Sendo todos eles grupos transversais na sociedade, em termos etários, de níveis de riqueza ou em termos territoriais são também os menos acantonados a um partido político e por isso os mais prováveis aliados na sua luta diária contra o Governo.

 Tanto na resposta ao tema do dia-a-dia, como nas discussões políticas de maior relevo e de fundo que se podem esperar no tempo que antecede o fim da legislatura terá sempre esse eleitorado em linha de conta ao nível do discurso. Ao lançar as pontes para o diálogo com o partido socialista está também a provocar a possível degradação na coligação parlamentar e política que suporta o Governo de António Costa. São duas condições necessárias e não suficientes. Se por um lado precisa de combater a manutenção da coligação das esquerdas, precisa também de ganhar votos e eles só podem vir dos descontentes ou dos menos beneficiados pelo governo.

 Os sindicatos representam grupos profissionais e de interesses, legítimos, que não se sobrepõem completamente ao conjunto por eles gerado. A luta sindical será, assim, sempre por Rui Rio aproveitada para ganhar votos. São os votos do que classicamente se apelida por classe média e esse chavão é ainda um objectivo de muitos mesmo não se sabendo muito bem o que isso hoje representa.  Os profissionais poderão esperar aquilo que o PCP conseguir obter do governo e o Partido Comunista ver-se-á no dilema de reforçar o PSD ao querer obter mais direitos para os professores. Fariam bem o Governo e o Partido Socialista em antecipar a luta dos sindicatos e em conseguir o quanto antes um acordo de longo prazo que pacifique o sector alcançado dentro da coligação das esquerdas e seguindo a fórmula utilizada até aqui no Parlamento.

 Por outro lado temos os idosos quer sejam estes  reformados ou pensionistas. Os reformados tenderão a estar mais próximos de Rui Rio sempre que este levantar as questões dos cuidados de que esperam ou mencionar o interior e a desertificação do território ou as agora apelidadas falhas do Estado. Tem na pessoa de Morais Sarmento um forte apoiante e executante semanal. Nem é este o eleitorado tradicional da esquerda, se exceptuarmos o Alentejo e o distrito de Setúbal, nem é aquele que pode esperar do Governo maiores benesses. Aqui terá aliás Rui Rio, no Presidente da República, um forte aliado por tudo o que ele sempre representou e pelo que entretanto ganhou como capital político. Marcelo Rebelo de Sousa, para além de ter sido Presidente do PSD é reconhecido como alguém próximo do interior e do povo que mais sofreu com os incêndios, sendo por isso sempre uma voz com peso naquela faixa do eleitorado.

 Em parte sobrepostos, os idosos e a população do interior, não são dois conjuntos absolutamente coincidentes. A população idosa dos grandes centros urbanos, na sua maioria reformados ou detentores de algum complemento social, são ou ex-trabalhadores dos serviços ou ex-funcionários públicos de uma época em que Rui Rio esteve activo politicamente e poderão de si guardar uma imagem de pessoa séria. A sua linguagem política é bem directa e simples. Também aqui não é de esperar uma maior representatividade da esquerda tradicional e é sabido que uma grande deslocação de eleitorado da direita para a esquerda se concentrou neste grupo etário. Pode assim recuperá-lo caso o Governo e o Partido Socialista nada tiverem para lhes oferecer. São também aquele com uma voz menos regular e activa no espaço da comunicação política e social. Estão mais excluídos informaticamente e apresentam menores níveis de escolaridade.

 Rui Rio aparecerá sempre nestes meios e estará sempre a ganhar votos enquanto que António Costa pouco tem para apresentar como resultados dado tratar-se de problemas estruturais e alguns já sem volta a dar. Pouco ou nada melhorará o nível de escolaridade dessa população e, no fim da vida, para que precisarão os idosos de redes sociais que não seja para ver os familiares que partiram nos anos de crise? O nível de rendimentos pouco mudará e pouco mais será ambicionado. Este é pois o tema mais subjectivo e com maior carga simbólica na luta pelo poder. Aquele portanto mais sujeito a elevadas cargas de demagogia.

 A descentralização administrativa do país e o debate que se desenvolverá terá facilmente o interior do país como exemplo fácil mesmo que cerca de 70 por cento da população resida em grandes centros urbanos e no chamado litoral. São sabidas as posições dos dois líderes desde o tempo em que ambos eram autarcas nas duas mais importantes cidades portuguesas, nas mais influentes e nas mais representadas politicamente, por paradoxo. Não me demovo tão depressa da ideia dos caciques que esperam a regionalização para tomar o poder em nome do povo e o exercerem principalmente em benefício partidário ou pessoal.

 Ainda decorrerá bastante tempo até que as regiões sejam culturalmente assimiladas como unidades de desenvolvimento independentes quer nas estratégias quer nos resultados ambicionados e alcançados. Só com esse algo diferenciador é que se criará a identidade regional que de todo falta em Portugal. Não que um beirão não se identifique como tal ou que um algarvio ou alentejano não considere essa a sua identidade regional mas não há uma cultura de competição entre regiões. Os dados estatísticos são apresentados agregadamente para o país, muito pouco reflectidos em termos municipais e tendo em conta as unidades estatísticas que contam em termos europeus, as NUTS II, pouco daí se pode esperar. Quando se fala de Norte, Centro ou grande Lisboa como as regiões que de facto existem e das comissões de coordenação regional, está-se a andar no caminho contrário ao da formação da identidade regional que a descentralização precisará para ter sucesso. O Norte é demasiado diverso, o centro demasiado alargado geograficamente e a grande Lisboa muito pouco atractiva como referência a todos os que não residem na capital e que até aqui muito lutaram pela diferenciação identitária.