quinta-feira, julho 19, 2012
Sim, há a Grécia... Mas e a Espanha?
Vamos, para argumentar, admitir que nós gregos somos perdulários, preguiçosos, corruptos, propensos ao défice, aproveitadores do árduo trabalho dos europeus. Mas o que dizer dos espanhóis?
Mesmo o olhar mais superficial ao que está a acontecer na Espanha de hoje convencerá o leitor de espírito aberto que há algo profundamente errado com a visão convencional de um núcleo "racional" – a visão que insiste em receitas económicas racionais, e na falha da periferia, a qual está a tentar esquivar-se às suas responsabilidades.
Desde o último Verão, as perdas dos bancos espanhóis (provocadas por ridículas apostas no imobiliário financiadas principalmente por bancos alemães) têm sido descarregadas sobre os ombros do Estado espanhol, o que resultou em que este último foi efectivamente excluído dos mercados monetários (graças a taxas de juro ultrapassando os 5%). Assim, para evitar declarar que a Espanha se juntou formalmente às fileiras da Grécia, da Irlanda e de Portugal como o quarto "soberano caído", os detentores do poder da Europa saíram-se com a seguinte ideia brilhante:
Assim, quando jornalistas do mundo todo, colegas economistas de climas nórdicos, políticos alemães e holandeses, etc, apontam o dedo ao eleitorado grego por ter feito a opção "errada" nas eleições, isto é, por se ter esquivado ao Grande Plano da Europa para ultrapassar a crise, respondo violentamente: admitirei tudo o que quiserem acerca dos meus compatriotas gregos na condição de que me dêem uma resposta plausível a uma pergunta simples: O que está a Europa a fazer à Espanha como parte deste Grande Plano?
Yanis Varoufakis
- Será que o governo espanhol não tinha um excedente orçamental antes de irromper a crise?
- Era a dívida pública espanhola não inferior à da Alemanha antes de irromper a crise?
- Não era a Espanha o único país que, bastante notavelmente, conseguiu encenar uns Jogos Olímpicos que (a) foram lucrativos e (b) deixaram atrás de si esplêndidas instalações e renovação urbana (ao contrário de dívidas e elefantes brancos)?
- Será que a Espanha não desenvolveu firmas (como a Zara) que mostraram à Europa que é possível competir com o Extremo Oriente em sectores que o resto da Europa havia exportado (pelo menos em termos de emprego e trabalho intensivo)?
- Não era a Espanha local de produção da indústria pesada alemã (ex.: o Seat da Volkswagen) que produzia saudáveis lucros alemães?
Mesmo o olhar mais superficial ao que está a acontecer na Espanha de hoje convencerá o leitor de espírito aberto que há algo profundamente errado com a visão convencional de um núcleo "racional" – a visão que insiste em receitas económicas racionais, e na falha da periferia, a qual está a tentar esquivar-se às suas responsabilidades.
Desde o último Verão, as perdas dos bancos espanhóis (provocadas por ridículas apostas no imobiliário financiadas principalmente por bancos alemães) têm sido descarregadas sobre os ombros do Estado espanhol, o que resultou em que este último foi efectivamente excluído dos mercados monetários (graças a taxas de juro ultrapassando os 5%). Assim, para evitar declarar que a Espanha se juntou formalmente às fileiras da Grécia, da Irlanda e de Portugal como o quarto "soberano caído", os detentores do poder da Europa saíram-se com a seguinte ideia brilhante:
- O BCE passará a aceitar qualquer pedaço de papel que lhe seja apresentado por bancos da Espanha como "colateral" de empréstimos maciços concedidos à taxa de juro de 1%.
- Mas não importa quanto de empréstimos se dê ao insolvente, a insolvência não acaba – os bancos espanhóis estavam simplesmente a comprar tempo com isto. Por esta razão, a Europa considerou apropriado que o Estado espanhol devesse tomar emprestado mais dinheiro a taxas de juro entre os 4 e os 5 por cento (possivelmente junto ao EFSF, o fundo de salvamento da Europa) a fim de entregá-los aos bancos na forma de "recapitalização".
- Como o Estado espanhol, em consequência da nova contracção de empréstimo, é empurrado para a insolvência profunda, algo tinha de ser feito a fim de que pudesse refinanciar-se. Assim, foi isto que eles decidiram: Os mesmos bancos (insolventes) que recebem capital do Estado deveriam emprestar ao Estado (a juro de 6 por cento) parte dos empréstimos que estão a receber do BCE (a juro de 1 por cento).
Assim, quando jornalistas do mundo todo, colegas economistas de climas nórdicos, políticos alemães e holandeses, etc, apontam o dedo ao eleitorado grego por ter feito a opção "errada" nas eleições, isto é, por se ter esquivado ao Grande Plano da Europa para ultrapassar a crise, respondo violentamente: admitirei tudo o que quiserem acerca dos meus compatriotas gregos na condição de que me dêem uma resposta plausível a uma pergunta simples: O que está a Europa a fazer à Espanha como parte deste Grande Plano?
Yanis Varoufakis
sexta-feira, julho 13, 2012
Soy minero
Soy minero
por Isaac Rosa
Que en estos tiempos hipertecnologizados hayan tenido que ser los mineros los que enseñen el camino al resto de trabajadores, da que pensar. Que en la época de empresas flexibles, sociedad de la información, economía global, riqueza virtual y trabajadores desubicados y desideologizados, hayan tenido que ser los viejos mineros, con sus duras herramientas, sus manos callosas y su fuerte conciencia de colectivo, los que salgan a la luz y echen a andar para que los sigamos, debería hacernos pensar qué nos ha pasado a los trabajadores durante los últimos años, qué hemos hecho y dejado de hacer, qué nos han hecho y qué nos hemos dejado hacer
quinta-feira, julho 12, 2012
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