terça-feira, maio 28, 2013

O terceiro milagre da política

Quanto a méritos pessoais já falámos e quase tudo deve estar melhor escrito e mais bem dito. Miguel Poiares Maduro passará o teste a que se apresentou se decidir de acordo com a sua melhor consciência e o seu melhor conhecimento. Não conheço outra forma de um humano decidir.

Um dos lados positivos da experiência em curso a que damos o nome de União Europeia era, até há algum tempo atrás, a decisão em grupo, em equipa, no Conselho e agora apenas no Conselho Europeu nas matérias que lhe está reservado esse privilégio.
Necessariamente, as decisões suportadas por uma base alargada terão maior tempo de vida, se se revelarem acertadas. Diz-nos a História que as tomadas por consenso, mas erradas, podem conduzir e acabar através de uma Guerra.

Miguel Poiares Maduro é responsável pela sua equipa. Não acredito que lhe tenham sido impostos os nomes: de António Leitão Amaro como Secretário de Estado da Administração Local, de Joaquim Pedro Cardoso da Costa como Secretário de Estado para a Modernização Administrativa, de Manuel Castro Almeida como Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional e por fim de Pedro Lomba como Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional.

Ficamos assim a saber que temos um doutorando em Direito nomeado adjunto do Ministro Adjunto, um belo estágio, em pleno Governo; um doutorando em Direito Público, ex Secretário-Geral da JSD, promovido de Deputado a Secretário de Estado da Administração Local; temos como Secretário de Estado para a Modernização Administrativa um fundador e vice-presidente do partido político Movimento Esperança Portugal, que anda nos gabinetes do poder desde 1988, teria à data uns 23 anos; por fim, como Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Manuel Castro Almeida, homem que subiu a escada do poder e a escada social, sempre com a bengala partidária, começando como Deputado na Assembleia da República, com menos de 35 anos, apesar dos seus já longos 19 anos de vida profissional.


A responsabilidade por estas escolhas é de quem? Tratam-se de imposições partidárias, presidenciais, de ambas ou de sua livre, ponderada, conhecedora e esclarecida vontade? Ficam as perguntas.
Há sempre o terceiro lado da política, normalmente o mais baixo. Aquele que nos tempos de hoje está completamente dominado pelos aparelhos dos partidos. Todo e qualquer outro grupo de pressão não passa de pedra no sapato. A menos que diga ámen, discuta futebol e de Cultura apenas conheça fado. Em suma, a alma da raça lusitana.
É um caso, multiplicado por quatro, em que claramente o elevado desemprego pressionou para baixo as decisões políticas. A escolha de uma equipa é já um ato político de decisão, que se quer esclarecida.





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